Casamento real e econômico: Keilla e Maycon

Falar de economia divide muito as opiniões das pessoas e a forma como elas lidam com ela. Algumas moças no dia do seu casamento optam por adotar a economia em alguns aspectos: Economizam na cerimônia, ora na festa, na decoração, nas bebidas e afins; e procuram eleger algum item para gastar um pouco mais: Foto e Filmagem, vestido, comes e bebes e assim por diante. Isso é normal.Geralmente é assim.Quando se luta anos e anos para se casar nada mais justo com vocês do que poder fazer isso.
Mas e quando não existe a possibilidade sequer de poder escolher? Ou ainda não poder abrir mão de economizar e muito em nada pois se está completa e absolutamente sem grana alguma? Como fazer? Não fazer?

A Keilla, uma moça simpática de São Carlos, me escreveu uma das histórias de maior economia que eu já conheci. Mas não fui surpreendida somente pela parte econômica da coisa, mas sim por todo o contexto de necessidade que não a abateu e a fez aceitar realizar um Casamento Comunitário. E engana-se quem pensa que ela foi menos feliz por ter feito sua cerimônia assim.

Espero que após o relato, muitas noivas que estão completamente sem grana tomem coragem e aceitem que a felicidade de um casamento não está no valor desprendido a realiza-lo. Que existem muitas alternativas de se tornar lindo e especial um dia como estes e que essa é uma delas…

” Conheci meu marido em um encontro de jovens, que uma igreja católica estava realizando e começamos a namorar no mesmo dia, no mesmo dia mesmo…não esperei. A vontade de ficar juntos era enorme. E sempre pensando em nós casar, desde o primeiro dia…
Passado um ano de namoro fomos levantar orçamentos, verificar procedimentos, procurar uma casa, etc. O unico detalhe que não citei, é que não tínhamos grana nenhuma, mas nenhuma mesmo, nem para colocar gasolina no carro do meu sogro, para irmos até os locais orçados. E vimos que não teriamos dinheiro suficiente para se casar na igreja, fazer festa e pior: Não tínhamos nem previsão da onde iriamos morar. Vocês tem noção disso??? 
Me desesperei, chorei, me lamentei para Deus dizendo que eramos um casal tão bonito, tão cheio de esperança e amor, e por que não conseguiríamos realizar o nosso sonho de nós casarmos….Pois existem pessoas que só se casam por casar, para cumprir seu papel com a sociedade, se casar sem amor, e por que EU, pobre mortal apaixonada, não teria seu sonho realizado. Fomos desistindo na medida que víamos que as coisas eram caras, para apenas uma noite, e que nunca iriamos ter o dinheiro suficiente para bancar tudo….

Até que uma noite eu liguei para meu namorado, e disse: “Nós vamos arrumar uma casinha e morar juntos”. Simples assim. E o nosso caminho foi se abrindo…
Em um domingo fomos na casa da avó dele e conseguimos negociar um aluguelzinho camarada para os dois cômodos que haviam nos fundos. Pronto já tínhamos lugar para morar. No outro final de semana meu sogro decidiu trocar de carro e passou o que ele tinha para nós, assumindo apenas algumas parcelas. Não era “um carro lindão” mas quebrava o nosso galho. Pronto carro nós já tínhamos. Ainda no mesmo final de semana meu marido foi comunicar a minha família sobre a nossa decisão e meu irmão (que é uma espécie de pai para mim) não gostou muito a principio, mas acabou concordando (detalhe, eu tinha apenas 17 anos, e não, não me casei grávida). Pronto família comunicada.
O que eu não falei foi sobre a condição imposta pelo meu irmão para nos casarmos (já que eu era menor de idade): Pediu para que nos casássemos no civil. Mas pensa comigo: eu não tinha dinheiro nem para comprar um balde de tinta para a casa nova. Como teria dinheiro para o civil que aqui sai em torno de 270,00 reais?!
Mas aí Deus nos surpreendeu mais uma vez…
Fomos a uma missa e o padre informou que haveria casamento comunitário na paroquia. Gente eu só faltei pular do banco! Eu queria falar, eu queria rir, queria tanta coisa…Era minha salvação! Não iria pagar nem um centavo para me casar nem na igreja e nem no civil. Mataria dois coelhos com uma cajadada só!!!
No outro dia compareci a secretaria da igreja com todos os documentos para a inscrição. O casamento no religioso seria em 45 dias. Marquei meu chá de cozinha e a data no civil. Porem por ser casamento comunitário eu não pagaria nada e também não poderia escolher a data, seriam eles que determinariam. Por fim marcaram para daqui 15 dias. Gente! Eu não estava esperando que seria tão já!

Depois de casados no civil nossos padrinhos/parentes se uniram e nos deram todos os nossos móveis!
Já que iria me casar na igreja precisava de um vestido. Levei um desenho de um vestido curto e simples em uma loja. Me ligaram no outro dia e disseram: R$ 450,00. Como não teria nenhum bordado (o que encarece o vestido) ficou baratinho assim. Meu irmão pagou como presente de casamento. O dia de noiva, foi feito por um precinho legal. Cabelo, maquiagem e unha, simples assim.

Pronto, já tínhamos casa (pintada), carro, casamento civil e religioso, vestido de noiva e dia da noiva. Só faltava a festa….o mais caro!!!!
Não pagamos nada pelo salão que é do sindicato do qual minha cunhada faz parte. Escolhemos 60 convidados. Família e poucos amigos
Decidi procurar algum buffet que tivesse um precinho camarada que fosse negociável. Até que faltando apenas duas semanas antes do casamento religioso, encontrei um fornecedor muito bem falado na cidade que me cobrou R$ 38,00 reais por pessoa dando direito a tudo: De barman a talheres. A data que precisava estava disponível pois havia uma desistência (vamos combinar que buffet se fecha um ano antes). E o melhor de tudo: Poderia pagar até a data do meu casamento. Mas ele aconteceria em duas semanas. De onde tiraria os R$ 2.000 reais?!
Desabafei com a minha irmã e ela me contou que ela e meu irmão fizeram uma poupança para mim nos últimos anos. Como não temos nossos pais, recebemos um determinado valor de pensão. Adivinha de quanto era o valor? R$ 2.050,00 reais! Isso mesmo: Apenas um pouquinho a mais do que eu precisava e assim daria para pagar o bolo!!
Com o buffet pago e a encomenda do bolo em cima da hora não fiz docinhos. Mandei fazer os noivinhos e paguei R$ 60,00 reais por eles. As fotos do casório foram feitas pelo meu tio que é fotógrafo!!! Fechou um pacote de fotos (em um CD com montagem. Não fiz albúm), convites do casamento, do chá de cozinha e lembrancinhas!!!
As alianças simples de 4mm foram parceladas também.
O buquê feito de rosas nacionais e astromélias saiu por R$ 60,00 reais.

Os enfeites das 10 mesas dos convidados eram compostos por um solitário de madeira com duas gérberas. Saíram por R$ 4,50 cada.

Foi um casamento maravilhoso. Dividi o meu sonho com mais 15 casais. A festa foi perfeita e no fim eu nem acreditava que estava casada tampouco que aquela festa toda era minha pois tudo foi perfeito, se encaixando. Não adianta sonhar mais alto do que você pode, se enfiar em dívidas apenas para fazer um casamento com inúmeras pessoas que as vezes nem são tão importantes na assim em sua vida. Essa é a minha opinião e esse é meu relato sobre como casei sem grana nenhuma mas com a família e Deus, acima de tudo, me ajudando!”

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Sobre Sam
Criou o CSG em 2009 e de lá pra cá não desistiu de provar que é possível se casar com a grana que se tem!

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